Itambé - O tempo é um rio que não cessa de
sangrar!
Autor: Felipe Gallindo - Conselheiro da APAP, professor e
historiador.

A cidade é uma ilha! Envolta por um verde mar de cana, a brisa seca movimenta a fonte de uma riqueza secular - o açucar - a terra - o latifúndio - a oligarquia. O mesmo vento descortina ás vezes, caminhos ocultos, que correm como rios, rubros rios, trilhas de sangue, seiva das vidas tiradas de lutadores anônimos ou não, que ousaram, ontem e hoje, nadar contra uma correnteza dominante. E assassina.

Ontem. O ano - 1963. O mês Agosto. O local - Engenho Oriente, em Itambé. O personagem - Jeremias. Seu nome - Paulo Roberto Pinto. Jovem militante trotskista, oriundo de São Paulo, liderava uma pacífica passeata de trabalhadores rurais de diversos engenhos da região, que reivindicavam o pagamento atrasado do 13º salário. Os relatos falam de 400 a 500, entre homens, mulheres e crianças. Desarmados. Era um fim de tarde. Eles já estavam voltando para casa. Um chamado! O proprietário do "Oriente" vai pagar o atrasado na presença de um representante do Ministério do Trabalho.

Era difícil de acreditar, mas era preciso ir. Jeremias, apesar de já ter sido ameaçado de morte se não abandonasse a região, ia à frente. O engenho tinha duas porteiras. A casa-grande era vista da entrada e, ao lado
próxima